segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O REI E SENHOR ABSOLUTO

Imagem criada pela IA


O mundo ocidental entrou em ebulição, acicatado pelo xerife-mor.


Trump ordena aos seus militares a invasão da Venezuela e a prisão do Presidente — não sabemos se legítimo ou ilegítimo, isso cabe exclusivamente ao povo venezuelano averiguar e decidir. De seguida, afirma que poderá fazer o mesmo à Colômbia, Cuba, México, Irão, Canadá e Gronelândia, acrescentando mesmo: “iremos fazê-lo a bem ou a mal, quer gostem, quer não gostem”.


Perante este cenário, o mundo político acobarda-se e dobra-se à vontade de quem proclama: “quem manda sou eu”.


Assim, os três grandes consolidam o domínio das suas áreas de influência, quase em tom de escárnio: a China, a Rússia e, claro está, a América.


Quanto à Europa, que em tempos receou o federalismo e um exército comum, permanece em silêncio — com exceção da Espanha. Falta-lhe força, falta-lhe estratégia e, por isso mesmo, não é ouvida nem tida em conta. Não conta.


As diferenças de linguagem entre os três grandes são reveladoras: à invasão da Ucrânia, Putin chamou “operação militar especial”; à invasão da Venezuela, Trump chamou “operação brilhante”; à ameaça sobre Taiwan, Xi afirma que “nunca renunciará ao uso da força”.


Não conhecemos pessoalmente nenhum destes homens, mas aquilo que dizem e fazem conduz-nos inevitavelmente a uma palavra: loucura. E quando a loucura ocupa o poder, os perigos multiplicam-se.


Eles avançam. Nós observamos. Até quando, Senhor, até quando?


sábado, 10 de janeiro de 2026

EM TEMPO DE ELEIÇÕES:

 UM PRESIDENTE-REI, SERÁ?, NÃO!


Em tempo de eleições presidenciais (em Portugal), aparentemente atoladas em discursos políticos rasteiros, importa navegar à bolina na lucidez mui rara - sem ardis e sem berreiros papalvos e nem fiapos de conhecimento mal atado - do pensamento de Agostinho da Silva.

Adendacom memória memória e memória; e ainda e também.

PS: CÓPIA DE ROTINAS INTELIGENTES (blogue)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026

TODOS A VOTOS

A fragmentação do voto só serve os interesses da direita. E, pior do que isso, pode acontecer uma de duas coisas: que ganhe a direita ou, ainda mais grave, a extrema-direita.


Atenção, eleitores:

Nunca como hoje a concentração de votos foi tão decisiva.


Pensemos bem antes de votar.

Imagem: Internet 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

MENSAGEM DE ANO NOVO AO POVO DA RÚSSIA

Imagem: IA
Sejam corajosos.

Digam a Putin que querem ser felizes — mas não a todo o custo.


Digam-lhe que não querem ver os vossos filhos morrerem ou ficarem estripados numa guerra que não escolheram.

Que não querem ver vizinhos mortos, estropiados, desalojados, sem casa, sem futuro.


Digam-lhe que não aceitam ver cidades destruídas por armas que ele manda construir, gastando rios de rublos que, esses sim, poderiam fazer o povo feliz: em escolas, hospitais, cultura, dignidade.


Digam-lhe que querem paz.

Paz, paz, paz — não só para os russos, mas também para os ucranianos, palestinianos, israelitas, sudaneses e todos os povos do mundo.


A felicidade não nasce da força, nem do medo, nem das ruínas.

Nasce do respeito pela vida.


Sejam felizes com todos os povos do planeta — nunca contra eles.

domingo, 21 de dezembro de 2025

NATAL 2025

Neste tempo de Natal, em que celebramos o nascimento de Jesus e o valor da família, não esqueçamos todos aqueles que vivem sob o peso da guerra, da fome, da sede e da falta de abrigo. Que este seja também um tempo de consciência e de solidariedade, em que cada gesto, por pequeno que seja, possa contribuir para aliviar o sofrimento dos outros. Se pudermos ajudar, façamo-lo com generosidade e sentido de responsabilidade humana.

Foto do autor 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A SEDUÇÃO DA ORDEM - reflexão

Poço
Há algo que nos inquieta mais do que a ignorância: a amnésia voluntária. Pessoas que viveram o medo, a escassez e a arbitrariedade do poder — ou que cresceram à sombra dessas memórias — surgem hoje a defender ideias recicladas de autoritarismo, embrulhadas em slogans novos e vozes mais ruidosas. Como se o poço tivesse sido esquecido ou, pior ainda, romantizado.

Talvez não seja incoerência. Talvez seja cansaço. O cansaço de pensar, de duvidar, de sustentar a complexidade do mundo. Quando a realidade se torna excessiva, aparecem sempre os que prometem simplificá-la: dividir, apontar culpados, impor ordem. Não é novidade. Soljenítsin viu isso nascer no fundo dos campos — o momento em que o espírito, para não se partir, se convence de que a opressão é inevitável ou até necessária.

Inquieta-nos, por isso, a facilidade com que tantos jovens — e também menos jovens — se deixam enganar por mentiras repetidas ou, talvez pior, por meias-verdades cuidadosamente fabricadas. Por trás das redes sociais movem-se ideólogos discretos e interesses concentrados em poucas mãos, com um poder económico tão desmedido que chega a ser obsceno.

Essas plataformas, longe de serem neutras, alimentam o medo, o ódio, o racismo e a xenofobia, dividindo o mundo em campos opostos e simplificando a realidade até ao ponto da caricatura. O resultado é um terreno fértil para o enfraquecimento das democracias e para a aceitação gradual de formas modernas de autocracia.

Já não são necessárias fardas nem quartéis. O controlo faz-se pela repetição, pela vigilância difusa, pela manipulação emocional e pela dependência tecnológica. Não um chicote visível, mas um condicionamento constante. O mais inquietante talvez seja isto: a facilidade com que se abdica da autonomia em troca de conforto, pertença ou falsas certezas.

O mal, como se sabe, raramente regressa com a mesma farda. Volta disfarçado de solução. E quando a memória deixa de ser pensamento crítico, transforma-se — silenciosamente — em cumplicidade.

Nota:
Reflexão inspirada na leitura de O Arquipélago Gulag, de Aleksander Soljenítsin, e na observação do presente.

Imagem: Internet 

O REI E SENHOR ABSOLUTO

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